FerVillar - O blog do Profº Silvio

Um turbilhão de idéias!

Bem-vindos!

Olá a todos.

Estamos caminhando para um mundo globalizado que não vê diferenças mais do que econômicas, por isso esse é um dos focos dos atuais estudos geográficos. Como amante, seguidor e professor dessa velha matéria, me sinto na responsabilidade de passar as idéias e atualidades desse contexto para os meus alunos e amigos, como quaisquer outros seguidores que vierem.
A visão é de uma pessoa que passou por diversas dificuldades e ainda passa, vivendo na periferia e tentando, a partir dela, criar uma certa resistência ao processo de desmonte da educação como um todo que acontece hoje no nosso país.
Portanto, continuem se sentindo em casa, e não se esqueçam de comentar e dar suas opiniões nas estrelinhas debaixo de cada postagem. Como sempre, respondo aos comentários o mais breve possível.

Mais um fim de ano!

No mês passado cheguei aqui falando em ciclos, aqueles que fazem parte da vida de uma pessoa. Infelizmente, a última postagem foi apenas um soluçar de dor ainda por uma perda recente. Confesso que fiquei frustrado e decepcionado com o que houve e isso me fez ficar um bom tempo perdido, trabalhando mecanicamente e fazendo apenas o que era obrigatório, sem alegria. Mas a vida continua.

Nesse mês de outubro e em novembro espero colocar as postagens em dia, afinal assunto não falta e o tempo está escasso. Mas vamos fazendo o possível.

O ciclo do ano está acabando, meus alunos estão agora mais desesperados por causa das provas chegando, os vestibulares e as recuperações das escolas...nada de anormal. Espero que as coisas se acalmem daqui para frente. E que as postagens entrem no ritmo que sempre tiveram novamente. Como sempre, agradeço pela visita e pela fidelidade. Boa leitura à todos.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Apressado come cru!

Mais uma vez estamos chegando em época de eleições. Como não poderia deixar de ser, venho aqui falar mal das politicalhas da terra em que se vive sob a lona (sem ofensa aos palhaços) mas vivemos num circo pegando fogo.
Enquanto o governo federal faz de tudo para construir a imagem de uma pessoa insossa para concorrer à presidência da república, o governo do estado de São Paulo faz de tudo para manchar a sua própria imagem e a do outro forte candidato à presidência. Então lá vai a pergunta maldosa: o que tem a ver o lançamento do filme do Lula, o apagão, a queda da estrutura de uma ponte do rodoanel e o desabamento de uma estação do metro em construção? Respondo: TUDO!
É claro que vão dizer que todas essas obras estão interligadas pelo fato de serem obras de governos e que por isso estão sofrendo desvios monstruosos de verbas. Nem comento mais essas coisas, afinal de contas no Brasil se não tem desvio de verbas não há nenhum tipo de serviço ou obra prestado pelo governo, mesmo que isso aconteça mal e porcamente.
O que une PT e PSDB como farinha do mesmo saco é a necessidade de correr com as obras para fazer propagandas políticas no ano que vem para a campanha presidencial. Fazer mal feito não é o problema, o problema mesmo é não fazer completo. Grandes obras são excelentes para pleitos eleitorais, então os dois partidos estão fazendo todas as suas obras a toque de caixa, correndo muito para acabar as obras no ano eleitoral e usá-las como propaganda. É claro que quando se faz essas obras correndo, acaba-se fazendo mal feito. Tenho medo só de pensar no resultado disso tudo, obras que deveriam durar dezenas de anos vão implodir em pouco tempo por causa dessa maldita correria.
O dinheiro que deveria ser investido em infraestrutura pelo governo federal está pagando pelo bolsa-esmola, a chantagem eleitoral preferida pelo Lula e pelo partido dos trombadinhas. E o desenvolvimentismo dos tucanos, feito nas coxas, pode causar acidentes muito mais graves do que o do rodoanel ou do metro que caiu. Tudo isso em nome da manutenção ou obtenção do poder, que como dizia Lord Acton, corrompe. O poder absoluto, que corrompe absolutamente no Brasil, é a presidência da república. Então, marcharão unidos os dois partidos para continuar a obra um do outro, numa dualidade quase rivalidade quase paixão não correspondida. Todos eles são péssimos administradores e infelizmente um deles vai herdar o país e se tornar o sócio maldito de todos os brasileiros: o governo federal.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Há 20 anos...

... caía um dos principais símbolos de uma era: O muro de Berlim. Símbolo porque representava uma divisão claro entre dois mundos, o socialista, controlado pela URSS e o capitalista, comandado pelos EUA.
Construído no final da 2ª Guerra Mundial para evitar que as pessoas do lado socialista fugissem para o lado capitalista, o muro que dividia a cidade de Berlim se tornou a marca mais impressionante da divisão ideológica do mundo entre dois países e seus aliados. A sua queda representou não só o fim dessa divisão como também o desmoronamento do sistema socialista, que praticamente deixaria de existir com o desmantelamento da URSS, dois anos depois. Com o fim da URSS, terminava também a Guerra Fria, ao menos a parte ideológica que representava a divisão do mundo.
Se antes da queda o mundo se dividia no sentido leste-oeste, ideologicamente, depois da queda a divisão se tornou mais cruel. Passou a ser uma divisão norte-sul, entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos, ou seja, entre explorados e exploradores. Os países do bloco capitalista se desenvolveram mais tecnologicamente falando, enquanto os países do bloco socialista ficaram parados no tempo nesse sentido. Não é hora de discutir se era melhor ou pior viver de cada lado, afinal cada pessoa terá uma visão diferente. Mas é necessário analisar as consequência para o lado socialista da Alemanha, depois da unificação.
A grande maioria das pessoas ficou com a impressão de que o desabastecimento e a decadência econômica era o maior problema da Alemanha Oriental. Mas a meu ver o problema foi a velocidade com que as duas partes da Alemanha progrediram depois do muro. A Alemanha Ocidental, controlada pelos estadunidenses, tinha de servir de exemplo de tudo que existia de bom e por esse motivo foi reconstruída e mantida por generosas quantias de dinheiro que vinham do outro lado do Atlântico. Enquanto isso, o lado socialista entrava em uma progressão de adaptação ao regime soviético, que só previa a socialização do trabalho e de poucos benefícios, enquanto a elite governante comia e bebia do melhor, como sempre.
Com a queda do muro, o que viu foram dois países completamente diferentes, cada qual com suas próprias características e tendo de se adaptar às vicissitudes da situação. Até hoje existe um muro invisível que separa as pessoas que por uma geração não tiveram acesso ao outro lado do muro, seja pelas suas idéias, seja pelas realidades de arquitetura, urbanismo, empregos, entre outros. Ainda hoje pode-se dizer que são países diferentes.
Essa foi apenas uma das consequências de uma guerra que não aconteceu de fato, que poderia ter levado a raça humana à extinção com bombas atômicas explodindo dos dois lados. Apesar disso não ter ocorrido, marcas significativas ficaram e ficarão para sempre na história e na memória de um povo exposto a dois grandes problemas: a separação entre eles e a reunificação que ocorreu depois. Ratificar essa reunificação ainda vai levar alguns anos e custar muito caro à Alemanha.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Imagens!

Na seção Imagens!, que inauguro agora, uma charge retirada do site HumorBabaca, que mostra como funciona o processo de produção capitalista, o questionamento de quem tem capacidade de entender o que acontece e a reação do capitalista, "dono" desse processo produtivo.



segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Inclusp!

Voltando à ativa, vou pagar uma dívida. Prometi a um ex-aluno, Olívio Santos, uma análise de uma matéria que ele me enviou, a respeito da mudança de perfil dos estudantes que entram na USP, com a diminuição do número de ingressantes das classes A e B e o aumento do número de ingressantes das classes mais baixas. Hoje entram mais alunos de classe baixa do que de classe alta na USP, de acordo com a pró-reitoria de graduação da USP.
Durante muito tempo se acreditou que alunos ingressantes na USP, de classes mais baixas e vindos de escolas públicas fariam com que o nível das universidades caísse. Sou obrigado a admitir que, sem dados para dizer o contrário, eu mesmo acreditei nisso. Mas agora, analisando os dados da própria pró-reitoria de graduação, pode-se dizer o contrário. Esses alunos que entram em universidades públicas, com muito esforço e dedicação estão mantendo e, em alguns casos, até elevando o nível do desempenho acadêmico. Então podemos dizer que os alunos provenientes de escolas públicas e de classe mais baixa sabem dar mais valor à USP do que outros alunos, provenientes de escolas particulares e que no geral não valorizam a universidade por não saberem nem o valor nem o custo dela. Os que vem de escolas públicas são alunos que entram na universidade para estudar e que sabem que um futuro com menos incertezas e com melhoria de vida e do seu padrão sócio-econômico dependem do seu esforço e de seus resultados. No geral, não tem tempo de usar a universidade como playground, como eu já citei em postagens anteriores.*
Toda essa mudança é resultado de uma política de inclusão social realizada pela USP, chamada de INCLUSP. É um serviço que visa diminuir as diferenças sociais no acesso à USP. Funciona a partir de um sistema de acréscimo na nota dos alunos que vêm de escolas públicas que tenham bom desempenho na prova. Na revista eletrônica Território Geográfico vocês poderão encontrar um artigo meu que explica o INCLUSP. **
Vale lembrar que esse programa foi criado como uma forma alternativa de inclusão na USP, que tem posição contrária à política de cotas raciais utilizada por universidades federais. Com esses resultados, se eles continuarem, é claro, poderemos um dia nos orgulhar de ser uma país que dá oportunidade de ensino nas melhores universidades para todas as classes socias. E poderemos começar a falar em justiça quando o ensino fundamental e o ensino médio puderem formar alunos com qualidade o suficiente para ingressar nas melhores universidades sem a necessidade de programas desse tipo. Por incrível que pareça, já foi assim um dia. E não há motivo para acreditar que não pode voltar a ser. Basta que consigamos um pouco de respeito, discutamos os problemas reais e não os imaginários e façamos com que os políticos entendam de uma vez por todas que políticas educacionais só funcionam a longo prazo, então eles devem se preocupar menos com mandatos e sim com políticas públicas. Para isso, precisamos de pessoas bem formadas, com capacidade crítica e possibilidade de formar opinião de acordo com a realidade da periferia, não dos donos do poder. Aí sim poderemos pensar em tirar do poder os aproveitadores que usam o governo para ganhar dinheiro com a ignorância alheia. Pelo menos a USP está no caminho certo, incluindo pessoas em seu quadro discente pelo tipo de escola em que estudou e não pela quantidade de melanina que ela tem na pele. Quando conseguirmos melhorar os ensinos fundamental e médio conseguiremos o tão sonhado aumento da parcela de negros nas universidades, sem que para isso criemos um abismo racial, aumentando assim os conflitos por esse motivo. Talvez então, nesse dia, o povo entenda que os políticos trabalham para ele e não o contrário. Grandes mudanças começam com pequenas atitudes. Espero sinceramente que esse seja o começo de uma grande mudança no país que, por hora, está sem rumo e sob controle de gente que precisa de esfomeados e sedentos para se perpetuar no poder. Senão terei de me contentar com a possibilidade de apenas meus netos terem uma vida um pouco mais decente nesse país.

*Ler "Travestis na USP?", de 21/06/2009, nesse blog.
**Ler "Inclusão em discussão", em www.territoriogeograficoonline.com.br, seção Colunistas - Silvio Villar

sábado, 5 de setembro de 2009

Ciclos!

O que constitui uma vida? A função orgânica de ar que entra e sai dos pulmões, brânquios e branquíolos? Ou então o fluxo de sangue que circula livremente em artérias, aurículas e ventrículos? Não creio, pelo menos para nós humanos, que insistimos em tentar entender os processos de vida e morte.
Acredito que a vida de uma pessoa dura enquanto durar suas lembranças na mente e nos sentimentos de uma outra pessoa. Enquanto sua lembrança persistir, sua existência está garantida. E só existe uma forma de se tornar eterno nessa existência terrena, apenas uma: ser bom.
Quando uma pessoa é má e faz coisas ruins para os outros está fadada ao esquecimento rápido, pois gente que atrapalha não faz falta. Pelo contrário, é capaz que algumas pessoas fiquem contentes com sua morte, pensando "Já foi tarde, agora não faz mais mal para ninguém".
É por isso que venho aqui, no dia que fecho mais um ciclo de vida, para afirmar que tenho consciência que sempre ganhamos ou perdemos em cada um desses ciclos de vida. Posso dizer também que nesse último ciclo muitas dificuldades foram enfrentadas, a maioria profissionais, algumas pessoais. Mas duas semanas atrás a pessoa mais legal da minha família nos deixou nesse plano e foi em busca do papai do céu. Para a família é uma perda irreparável, pessoalmente uma tragédia.
Essa pessoa nunca fez mal a ninguém, muito pelo contrário, só trouxe alegria para as nossas vidas. Se a vida é como penso, então sei que ela será para sempre lembrada pois estará por toda a vida em meu coração. Será eterna, então, pois sempre quis o bem de todos. Será eterna, então, pois sempre será parte da vida daqueles que alegrou com seu jeito especial de existir. E continuará existindo para sempre. Pena que agora não poderemos mais conversar e rir juntos, pelo menos por enquanto.
Funções orgânicas não fazem de um corpo uma vida. A existência que se constrói, as coisas boas que fazemos, as pessoas que ajudamos, isso faz um corpo com funções orgânicas perfeitas ganhar vida.
E quando olharmos para trás, para nossa vida, que possamos ver com orgulho o bem que fizemos e as vidas que mudamos para melhor. É só o que quero para a minha vida.

Vai com Deus, vai em paz, prima.

Saudades!

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Viva Stanislaw!

Depois de ver mais uma semana dos mandos e desmandos da politicalha do Brasil, em especial a do partido dos trombadinhas e do presidente da república, lembrei do velho Stanislaw Ponte Preta e do seu Samba do Crioulo Doido. Só isso (e também o FEBEAPÁ - Festival de Besteiras que Assola o País - também do mesmo autor) explicam o irrevogável revogado no dia seguinte, com direito a abrir mão de todo o respeito que um dia o senador Mercadante teve da população de São Paulo, que o elegeu. Mas eu o entendo, afinal a reunião com o presidente da nação para que ele revisse a sua posição durou mais de cinco horas... cinco horas em cima, sem tirar de dentro, não tem c* que aguente! Por mais que o prazer da sacanagem com os idiotas dos eleitores seja grande, uma hora começa a doer por dentro.
Vale a pena lembrar que, assim como eu, muitas pessoas começam a ver que o partido dos trombadinhas não passa de uma grande quadrilha, que tinha por objetivo chegar ao poder para se lambuzar com o dinheiro público, já que sempre tinham sido os preteridos nesse quesito. Chegaram a uma conclusão simples: "se todo político rouba, também tô nessa!" Só nessa semana dois senadores deixaram esse partido, um dizendo que tinha vergonha de pertencer a um partido que manipulou o que pode para salvar a imagem do presidente do senado e a outra abandonou o barco depois e trinta anos de partido e provavelmente será candidata à presidência ano que vem pelo partido verde. E não foram os primeiros nomes importantes a abandonar o partideco por causa do monstro corrupto e inescrupuloso em que ele se tornou. E enquanto o circo pega fogo, nosso Nero, quero dizer, Suplicy, canta no senado. Patético.

Samba do Crioulo Doido
(Stanislaw Ponte Preta)

Foi em Diamantina
Onde nasceu JK
Que a Princesa Leopoldina
Arresolveu se casá
Mas Chica da Silva
Tinha outros pretendentes
E obrigou a princesa
A se casar com Tiradentes

Lá iá lá iá lá ia
O bode que deu vou te contar
Lá iá lá iá lá iá
O bode que deu vou te contar

Joaquim José
Que também é
Da Silva Xavier
Queria ser dono do mundo
E se elegeu Pedro II
Das estradas de Minas
Seguiu pra São Paulo
E falou com Anchieta
O vigário dos índios
Aliou-se a Dom Pedro
E acabou com a falseta

Da união deles dois
Ficou resolvida a questão
E foi proclamada a escravidão
E foi proclamada a escravidão
Assim se conta essa história
Que é dos dois a maior glória
Da. Leopoldina virou trem
E D. Pedro é uma estação também

O, ô , ô, ô, ô, ô
O trem tá atrasado ou já passou

Imagem: Heitor dos Prazeres, 1964

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Curtas! na América Lat(r)ina!

Volto novamente à sessão Curtas! para falar sobre a América Latina e suas políticas internas e externas desses últimos meses. Nesses países, muito se fala em liberdade e democracia, mas do que entendo da situação, é como diz um velho ditado popular, "o macaco enrola o rabo, senta em cima e fala mal do rabo dos outros". Não é preciso dizer que a maioria das bobagens que se falaram nesses últimos meses veio de ditaduras bolivarianas como a Venezuela ou de países de paus mandados como o Brasil.

Venezuela
Na democracia venezuelana tudo funciona como na Bíblia: "tudo posso naquele que me fortalece", ou seja, o todo-poderoso Hugo Chávez. Quem contradiz o que o deus bolivariano diz é sumariamente condenado sem julgamento. Ele acaba de ordenar o fechamento de 34 rádios que fazem oposição à ele e seu governo e disse que pretende fechar mais 200. A rede de tv Globovisión, também opositora, acaba de ter sua sede invadida por partidários de Chávez e sob o comando de uma das mais influentes deputadas de seu governo. Em um país que se orgulha de dizer que é democrático, vendo essas atuações, posso dizer que não entendo mais o que é democracia.
Além disso, o governo de Caracas está esperneando por causa da cessão de bases colombianas aos EUA, o que seria perfeitamente aceitável se ele próprio não tivesse cedido bases e feito acordo com os Russos para manobras militares em seu território. Quer dizer que se for imperialista, não pode. Mas se for a mesma coisa com a camiseta do Che Guevara pode?

Bolívia
O presidente boliviano está um pouco mais recolhido nesses últimos meses, aparecendo pouco no noticiário internacional. Apenas reclamou publicamente da repercussão negativa que se deu ao fato de que armas compradas pelo governo venezuelano foram parar nas mãos de "guerrilheiros" das FARC, atualmente sequestradores em larga escala e controladores do narcotráfico na América Latina. Disse que o vídeo em que o traficante falava isso era mais uma "montagem para desprestigiar um presidente revolucionário" e que é "uma campanha suja que vem do império". Bom, nessas frases ele disse tudo: ou ele é um grande fã da série de filmes Star Wars ou demonstra mais uma vez seu pensamento avançadíssimo para o século XVIII.

Equador
Falando em pensadores atrasados para a vida, o presidente do Equador também se revoltou com o fato de terem falado sobre o vídeo citado acima, em que um traficante diz que as FARC patrocinaram a sua campanha eleitoral. Patrocinar com dinheiro do narcotráfico para "cercar" a Colômbia com governos ditatoriais bolivarianos pode, o que não pode é divulgar essa informação. Basta dar uma olhada no mapa e ver a situação atual da Colômbia, cercada por governos imprestáveis por todos os lados, com exceção do Peru, seu principal aliado nessas questões de política externa atualmente. Dá para entender porque a Colômbia está cedendo bases militares em seu território para os EUA.

Paraguai
O presidente paraguaio, Fernando Lugo, é um dos que está mais contente. No mês de julho conseguiu cumprir uma de suas principais promessas de campanha, ou seja, arrancar mais dinheiro do Brasil pela energia elétrica de Itaipu. O governo brasileiro comprava cerca de R$ 120 milhões em energia do Paraguai, valor esse que será triplicado pelo novo acordo. De acordo com o governo brasileiro, o valor não será repassado aos consumidores do nosso país. Aí fica a pergunta: o dinheiro que vai pagar isso não vai ser subsidiado pelo governo? Como a resposta é sim, o palácio do planalto só arranjou um jeito de todos os contribuintes brasileiros pagarem pela estabilidade política do seu vizinho, o que era necessário depois que descobriram que o presidente além de ser bispo também era papai, atividades essas, digamos, incompatíveis se realizadas ao mesmo tempo.

Colômbia
Já o pessoal da Colômbia tem de ter muita paciência. O seu presidente, Álvaro Uribe, parece ter sido picado pelo mesmo mosquito do caudilhismo, pois já está se articulando para tentar mudar a constituição e se reeleger. O detalhe é que ele já está no poder há dois mandatos, o que o aproxima de seu arquirrival na política sul americana, o Huguinho. No mais, só diferenças. E ingerências. Não digo que me conforta a situação dele querer ceder bases militares para os EUA, mas me pergunto o motivo de tanto alarde. Não vi nenhum país fazendo alarde quando o caudilho venezuelano cedeu bases em seu território para a Rússia. Vale lembrar que Venezuela e Colômbia fazem fronteira entre si e com o Brasil. Qual o motivo de nossa diplomacia internacional não ter falado nada na época e agora fica com chiliques? Não dá para entender, a não ser que se use outro ditado popular: "dois pesos, duas medidas".

Brasil
Ah, o Brasil! Nosso querido presidente, aí ao lado em participação especial no South Park, gosta mesmo é de defender seus colegas bolivarianos, às custas do nosso dinheiro. Já tinha aceitado pagar mais caro pelo gás da Bolívia, sempre pagou mais caro pelo petróleo venezuelano do que os EUA e agora vai pagar mais caro pela energia de Itaipu. Só falta agora o Evo exigir que os traficantes brasileiros paguem mais caro pelas drogas que vêm de lá também.
Enquanto ele cuida dos problemas dos outros, aqui no Brasil nós ficamos vendo o senado federal virar motivo de piada (70% do conselho de ética do senado tem processos por falta de ética) e o judiciário tentando chegar no mesmo nível, colocando magistrados para realizar julgamentos de seus amigos íntimos, o que só poderia dar em merda mesmo. Em um desses julgamentos, o jornal "O Estado de São Paulo" ficou proibido antecipadamente de divulgar informações sobre uma operação da Polícia Federal que investiga a família Sarney. Traduzindo, voltamos à época da censura, igualzinho na Ditadura Militar da década de 1960. Tudo para esconder as cagadas da família que é dona do Maranhão, da qual o patriarca é dono do senado. E tudo isso com a conivência e a benção do nosso presidente, que pelo menos é coerente no discurso, defendendo oligarquias dentro e fora do país.
Trocando em miúdos, ao analisar a situação política da América Latina, pode-se ver que a democracia que havia sido conquistada está indo descarga abaixo por causa de dispositivos que ela mesma permite, como os plebiscitos, usados de maneira leviana. Muitos países já caíram nesse truque, entrando para a Aliança Bolivariana para a América Latina (ALBA) e discursando pelo "socialismo do século 21". Pelo visto, essa região do planeta está realmente iniciando um movmento histórico: o de retorno às origens de colônia de exploração e ditaduras. Uma pena.